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FILMES

LÁGRIMAS E SUSPIROS

Título Original: Viskningar och rop/Cries and Whispers

Ano: 1972

País: Suécia

Realizador: Ingmar Bergman

    Actores:

  • Harriet Andersson

  • Liv Ullmann

Minutos: 91

Resumo:

Um denso drama humano que enfatiza as relações entre as pessoas, sejam elas de proximidade ou familiares.



    Critícas dos visitantes do Site:





    Título do filme Nome do crítico Cidade Data da Crítica
    Lágrimas e Suspiros Ricardo Costa Pinho ------- 9/25/2002

    Lágrimas e Suspiros (Viskningar och rop), realizado por Ingmar Bergman em 1972, com direcção de fotografia de Sven Nykvist. Foi nomeado para o prémio de Melhor Realizador e de Fotografia dos Óscares, o que revela a relativa acessibilidade deste filme para o chamado «público em geral». Bergman escreveu o seguinte, a propósito do filme: «Acredito que o filme –ou o que quer que isto seja- consiste neste poema: um ser humano morre mas, como num pesadelo, fica preso a meio caminho e implora por ternura, piedade, entrega, qualquer coisa. Dois outros seres humanos estão lá, e as suas acções, os seus pensamentos, estão relacionados com a morte, não-morte, morte. A terceira pessoa salva-a embalando-a suavemente, para que ela possa encontrar a paz, indo com ela parte do caminho». O filme abre com alguns planos luminosos de exterior, mostrando árvores e jardins como se se tratassem de pinturas naturalistas. E passamos imediatamente para o interior da casa, onde se passará o resto da acção do filme, com uns planos de pormenor de requintados relógios que apelam para a iminência de algo que está para acontecer. E depois a descrição do interior da casa, onde nos é apresentada uma casa decorada num único tom de vermelho. O vermelho, como é do senso comum, está associado ao sangue. Sangue que simboliza a vida, e a também a morte, neste caso pelo sangue do cancro do pulmão de Agnes. Para um realizador do filme a preto e branco, as transições para vermelho são surpreendentes, e imergem o filme em sangue. Contudo, Ingmar Bergman fez questão em dizer que escolheu sublinhar a cor vermelha porque «o vermelho é a cor da alma». E se é a cor da alma, então o interior vermelho da casa é uma alma, já que é nesse espaço fechado, diferente da realidade, que as quatro mulheres revelam as suas personalidades. Quanto às personagens, são quatro arquétipos: Agnes é a mulher de branco numa casa vermelha, é a pureza. Marie, que nos é apresentada a dormir face a uma casa de bonecas é a sedutora ingénua; Karin é o seu oposto, fria e distante é a mulher de preto. Anna é a pobre –mas recta e sentimental- empregada. É um pouco difícil dizer qual o tema do filme, já que se presta a muitas interpretações diferentes. A meu ver não se trata de crítica à burguesia ou a coisa alguma. Parece-me ser, principalmente, uma reflexão sobre o egoísmo e narcisismo. E também, como de costume nos filmes de Bergman, uma reflexão geral sobre o sentido da vida. Nenhuma das irmãs parece ter interessar-se por mais ninguém, nem pelos maridos, nem pelas outras irmãs. À irmã que morre, Marie e Karin desejam-lhe algo que seja pouco mórbido. Marie é infiel ao seu marido, que tem como consequência a sua tentativa de suicídio perante a sua impavidez. Karin mutila-se e espalha o sangue pela cara na cama afrontado o seu marido. Não se tem a certeza se estes flashbacks foram ocorrências reais ou apenas fantasias. Esses flashbacks, ou sequências de fantasia, são precedidas e finalizadas com um grande plano, com iluminação lateral vermelha. Antes de falar no plano afecto, é importante saber que Ingmar Bergman trabalhou em televisão, onde o grande plano é uma norma, pela reduzida dimensão do ecrã em que a imagem é vista, e cujos grandes planos de «Lágrimas e Suspiros» poderão ser, não só mas também, fruto do hábito de realizar para televisão, acabando por dizer que «a aproximação do rosto é a qualidade primeira e a originalidade distintiva». De qualquer modo, nesses grandes planos, o plano afecto funciona por si mesmo e na sua forma mais pura – o rosto iluminado a vermelho que olha para a câmara, dando-lhe um «carácter longínquo que lhe é próprio». É um rosto expressionista na medida em que a face iluminada contrasta com a face escura. É um rosto reflexivo, que concentra as suas memórias e os seus sentimentos, respondendo a ambas as questões «em que pensas?» e «o que sentes?». Mas outros grandes planos populam abundantemente no filme. O primeiro plano de Marie é um grande plano em que dorme numa cama de criança –em frente à casa de bonecas- com um dedo na boca como se fosse, ela também, uma criança. É um plano psicanalítico, que descreve a personagem pelos seus traços (mais tarde, o médico mostrar-lhe-á ao espelho precisamente as características do seu rosto que revelam o que ela é). Mas mais importante que os personagens, são as reflexões que as interacções entre eles provocam. Karin, a mulher fria e distante, não se consegue aproximar de Agnes e responde-lhe, racionalmente, «mas tu estás morta! O que tu pedes é deplorável». Marie tenta aproximar-se de Karin, e esta não quer que lhe toquem ou falar sequer. Ambas nutrem por Anna uma genuína indiferença. Mas é Anna quem tem a bondade de se aproximar de Agnes e ajudá-la a morrer, na famosa cena da pietà. Discute-se acerca de um tom sensual presente na cena da pietà e na cena em que as duas irmãs se tocam como se pela primeira vez. De qualquer forma, a encenação da pietà é um recurso inesperado de Bergman, que faz questão de afirmar a incapacidade da religião em responder aos problemas humanos, que neste filme pode ser sentido no discurso formal vazio do padre, e na sua seguinte imploração para que lhe seja dado um sentido sobre a vida e o sofrimento de Agnes. Uma possível interpretação é que Anna cumpre com Agnes a salvação do seu filho. E se a qualidade da imagem é óbvia, no campo sonoro o filme prima pelos detalhes sonoros dos sons de sala, como o sons dos relógios e os sinos de igreja em último plano que anunciam a morte, e pelos contrastes dos diálogos sussurrados com os gritos sôfregos de Agnes e com o silêncio dramático. A música minimalista resume-se a uns excertos de Chopin e pouco mais, que praticamente nem se notam que lá estão. O filme termina como começa, mostrando imagens de exterior, num jardim verde e saudável, com as irmãs vestidas de branco e um filtro de névoa que remete para tempos de felicidade. Tempos que terão sido fantasia. Termino com um excerto do livro «God, Death, Art and Love: The Philosophical Vision of Ingmar Bergman», de Robert Lauder, citado na revista Long Pauses: «A viagem humana é em direcção à morte. À medida que a presença de Deus é dissolvida, a pessoa humana tem que olhar para outro lado à procura de um significado da existência humana, alguma esperança a que se agarrar perante a morte. A arte oferece meras dicas, mas sem a presença animadora de Deus e a superestrutura de significado que a religião outrora fornecia ao artista, as «respostas» da arte nunca são adequadas. A única esperança que temos, de acordo com Bergman, é o amor humano. Não existe nenhuma esperança divina. O contacto amoroso com outro ser humano, ou talvez com muitos outros, é a única salvação possível para nós». Bibliografia: Revista «long pauses» Qnetwork.com





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