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FILMES

EM VOLTA

Título Original: Em Volta

Ano: 2000

País: Portugal

Realizador: Ivo M. Ferreira

    Actores:

  • Diogo Laço

  • Beatriz Batarda

  • Nicolas Brites

Minutos:

Resumo:

Vicente é fotógrafo profissional numa revista de viagens. O seu sonho é fazer um projecto de trabalho em que fotografar pessoas e entrevistá-las sobre o que pensam do amor seria o seu grande objectivo. Até que um dia resolve meter mãos à obra e partir para o mundo...

    Critícas dos visitantes do Site:





    Título do filme Nome do crítico Cidade Data da Crítica
    Em Volta Bruno Antunes Lisboa 10/15/2002

    "Em volta" - Em volta deste filme já muito se disse. Sobretudo, já muito mal se disse. Tanto mal que o espectador arrisca-se a passar ao lado de um dos filmes mais cativantes que o cinema português já produziu, o que não é benéfico para ninguém, nem para o público, nem para o ofício. Apesar de neste filme não se ver nenhuma pirâmide, é no Egipto que se processa o primeiro ponto de viragem do filme. Apesar de haver uma múmia nos Jerónimos, é sem dúvida no Egipto que se encontra a maior concentração de múmias do planeta. O que é uma múmia ? Uma múmia é uma perfeição técnica esvaziada de vida e envolta numa fita. É precisamente o caso de muitos filmes. Eu diria mesmo, de noventa por cento da produção comercial de cinema. Um ser vivo, porém, é exactamente o contrário. Isto é, é uma imperfeição técnica, que defeca, se agonia, vomita, adoece, morre e que até às vezes se apaixona…Mas é uma imperfeição técnica recheada de vida. E por estar em vida, e ter consciência da finitude, da incompletude, da morte, da imperfeição, é por vezes lançada numa demanda de aperfeiçoamento, de reunião. Pois a diferença entre uma múmia e um ser vivo, é que um ser em vida é um ser em vias de aperfeiçoamento. Em Volta não é uma múmia ! A fita desenrola-se para deixar ver a vida, no que ela tem de impalpável, de vazio. A personagem central, mais do que um protagonista, um agente, é sobretudo um espectador, que atravessa as fronteiras geográficas dos países, da mesma maneira que atravessa as fronteiras fictícias das suas referências e valores, do razoável e do irrazoável. E caminha, seguindo uma rota precisamente aleatória, que se traduz na linha abstracta que é o Trópico de Câncer. Demanda. Talvez não diga muito, este filme. Talvez não responda a nada. Mas pergunta, e parte à procura. À procura do Amor. Que, se não nos fizesse falta, ou se já estivesse desocultado, talvez já não houvesse razões para demandas nem peregrinações. Mas não está, pelo menos para mim não está. Por isso tocou-me profundamente a proposta deste filme. E tocou-me ainda mais por ser tosco. Honesto. Humano. Este filme toca-me à maneira da pintura naïf. É um filme de produção intuitiva e não canónica, com todas as imperfeições técnicas que lhe quiserem apontar. Mas é um filme que tem a coragem de comunicar. E de comunicar de forma visceral. Apesar de balbuciar a linguagem cinematográfica, da mesma maneira que a personagem central só sabe dizer em Tailandês « eu não sei falar Tailandês » mas, apesar disso, lança-se para a frente, viaja, comunica e aprende. Por muito que o Ivo, o Diogo, o Nicolas, a Sofia e os outros talvez ainda não dominem a fundo as técnicas do artesanato fílmico, não deixaram por isso de se mandar para a frente e de fazer arte. Arte, por que nos toca profundamente (pelo menos a mim) e me comunica. Me contagia. Me dá vontade de partir. Partir, não como quem se vai embora, mas como quem chega. Quero eu dizer, reconhece. Reconhece a essência da vida, do estar em vida, enquanto viagem, demanda. Demanda que talvez nunca encontre o seu alvo, mas que nunca se abandona, nem se esquece, por muito que um dia a morte a venha a abortar. Pois, ao contrário das múmias que estão canonicamente instaladas nas suas cátedras piramidais, os seres humanos erram, mexem-se, caminham seguindo a rota impalpável das suas inquietações. E mesmo que nunca atinjam o seu alvo, ele atormenta-nos como um mistério, um abismo, um poço, o amor, a morte, da qual a vida andará constantemente em volta.



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